Parnacanastra

Parque Nacional da Serra da Canastra

Na imagem ao lado, o marco zero do Rio São Francisco, no Parque Nacional da Serra da Canastra

Foto: Mario Matos Gonçalves, in memorian

Na Chapada dos Diamantes, na parte alta do Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais, o pequeno "Chico"  cumpre o primeiro trecho de um longo percurso. 

Depois de despencar na majestosa cachoeira Casca Danta, sobe pelas Minas Gerais, atravessa a Bahia, o qual faz divisa ao norte com Pernambuco, e constitui divisa natural entre Sergipe e Alagoas.

O Rio São Francisco, também conhecido como Rio da Integração Nacional,  deságua no Oceano Atlântico, percorrendo mais ou menos 2.830 quilômetros.

O que é um Parque Nacional? 

Os parques nacionais são áreas delimitadas que possuem belezas naturais e/ou culturais que merecem a preservação e a conservação, em benefício das gerações presentes e futuras. 

Dentro deles, não pode haver atividades causadoras de impactos ambientais como o garimpo, a mineração, a exploração da fauna e da flora etc.

Em alguns ambientes dos parques o turismo é proibido: por exemplo, existem áreas dentro do Parnacanastra que somente cientistas e biólogos têm o acesso autorizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), de São Roque de Minas, órgão ambiental responsável pelo gerenciamento da Unidade de Conservação.

Assim, no Parnacanastra, tal como em qualquer outra área de preservação ecológica, os rios, as nascentes, as cachoeiras, as formações geológicas e toda e vida do ecossistema estão protegidos por leis federais.

A área do Parnacanastra

O principal objetivo dos parques nacionais ou unidades de conservação é a preservação ambiental dos ecossistemas naturais: da fauna, da flora e dos recursos hídricos.

A área da Unidade de Conservação Canastra é cerca de 72 mil hectares e abrange os municípios de São Roque de Minas (cerca de 70% da área), Delfinópolis e Sacramento. 

Porém, com a divulgação da retomada das desapropriações pelo IBAMA a partir do ano de 2003, também os municípios de Capitólio, São João Batista do Glória e Vargem Bonita poderão ceder terras para preservação ambiental. 

Ainda hoje, 2017, continuam as disputas pelas terras no entorno do Parque Nacional da Serra da Canastra entre proprietário e o ICMBio, antigo IBAMA

Mapa Espacial fornecido pela NASA (USA) ao Governo Federal do Brasil. Clique aqui para ir ao link original e ver imagem ampliada.

Localização

De acordo com dados e mapas do IBGE, a área atual do Parnacanastra (72 mil hectares) situa-se na região oeste (São Roque de Minas e Vargem Bonita) e região sul/sudoeste (Sacramento, Capitólio, Delfinópolis, São João Batista do Glória) de Minas Gerais.

A maior parte da atual área de proteção ambiental se encontra dentro do município de São Roque de Minas, cerca de 70%.

Melhores trajetos para chegar ao Parnacanastra

Belo Horizonte: Contagem, Betim, Juatuba, Mateus Leme, Itaúna, Divinópolis, Formiga, Piumhi e Serra da Canastra (São Roque de Minas ou Vargem Bonita)

Brasília: Cristalina, Catalão, Cascalho Rico, Patrocínio, Ibiá, Patos de Minas, Bambuí, São Roque de Minas (44 Km de terra)

Rio de Janeiro: Juiz de fora, Barbacena, Lavras, Campo Belo, Formiga, Pimenta, Piumhi e Serra da Canastra (São Roque de Minas ou Vargem Bonita)

São Paulo: Campinas, Mogi-Guaçu, Casa Branca, Mococa, Arceburgo, Monte Santo de Minas, São Sebastião do Paraíso, Itaú de Minas, Passos, Piumhi e Serra da Canastra (São Roque de Minas ou Vargem Bonita) 

A História

Os historiadores contam que a região da Canastra era habitada pelos "ferozes" índios Cataguazes e foi percorrida por bandeiras sem fixação determinada. 

Consta que, em 1675, os índios foram dizimados pelo "não menos feroz e invasor" bandeirante Lourenço Castanho. Hoje, da tribo dos Cataguazes restam apenas poucos objetos de uso pessoal e mal preservados, mas contam um pouco da história da cultura deles para as gerações atuais.

A região também foi abrigo para os escravos fugidos de propriedades das redondezas. Eles aproveitaram a fertilidade das terras ali encontradas e montaram diversos quilombos. Entretanto, também foram aniquilados depois de lutas sangrentas ordenadas pelo então governador de Minas Gerais, em meados do século XVIII.

Ainda no século XVIII (1818/1820), a região foi visitada pelo cientista e naturalista francês, Auguste de Saint-Hilaire (imagem acima). O naturalista Saint-Hilaire ressaltou a beleza e a imponência da Serra da Canastra pelos atributos paisagísticos e valorizou a região devido às espécies da fauna e flora endêmicas - determinados exemplares de animais e plantas somente podem ser encontrados naquele lugar.

No relatório preparado, Saint-Hilaire cita a Casca Danta e fala do fascínio que a cachoeira exerceu sobre ele. O nome do naturalista está indissoluvelmente ligado às plantas da região e diversos autores e biólogos lhes prestam homenagens até aos dias atuais.

A região da Canastra é rica em histórias, lendas e, ainda hoje, o folclore é um dom natural dos habitantes. É praticado nas festas religiosas e para pagamento de promessas, principalmente com a Folia de Reis.

Clima e Topografia

O clima é ameno na Canastra, típico das serras. A média varia de 17ºC em julho para os 23ºC, em janeiro. A temperatura mínima, se aproxima de zero em alguns meses e permite a geada (não é comum todo ano). A máxima registrada chegou aos 38ºC, entre os meses de dezembro e janeiro.

A Serra da Canastra recebeu este nome pela semelhança a um grande baú, quando avistada de longe. Apresenta dois maciços: a Serra das Sete Voltas e a Serra da Canastra, com altitudes variando entre 900 e 1.496 metros.
     
O relevo da Canastra data de 900 milhões de anos e é muito acidentado. Apresenta trilhas para todos os tipos de aventura: caminhos entre grutas e penhascos, trilhas circundadas por escarpas ou ainda, se preferir, o visitante pode optar pelos "atalhos molhados", praticados dentro dos rios e córregos por intermédio do rapel. 

As águas da Canastra são cristalinas, frias e saudáveis. As noites são frescas e convidam a todos para um repouso reconfortante e tranquilo.

O Melhor da Canastra

A Serra da Canastra tem opções de lazer para todos os gostos e idades: desde as caminhadas leves até as mais “puxadas”. Também oferece trilhas para trekking, cavalgadas e para mountain-bikes, cachoeiras para banhos ou para a prática de esportes radicais tipo o rapel e o cannyoning.

Apresenta também locais para mergulhos, para a prática do bóia-cross (em algumas épocas do ano – período de chuvas) e para a pesca esportiva. Mirantes privilegiados,  fauna e flora exuberantes sempre surpreendem aos visitantes. Porém, dentro do Parque as atividades radicais são proibidas.

Para visitar as nascentes do Rio São Francisco, a 13 Km de São Roque de Minas, o acesso é pela portaria da cidade. As primeiras nascentes do São Francisco brotam entre uma pequena mata ciliar, no brejo do Marimbu, na Chapada do Diamante.

Não se reconhece ou se percebe “uma nascente”, pois são incontáveis os brotos de águas cristalinas e frias que formam os primeiros metros do maior rio em extensão do Brasil. O local é um dos mais visitados no Parnacanastra.

A majestosa cachoeira Casca d'Anta, com imponentes 162m de queda livre, despenca de uma escarpa em um paredão que pode ser alcançado tanto pela parte alta quanto pela parte baixa, por meio de uma trilha "pesada", de aproximadamente 2.800m.
 
Para subir, leva-se cerca de duas horas; a descida é bem mais fácil. Para alcançar a parte alta da cachoeira, o trajeto de carro é via São Roque de Minas. Para visitar a parte baixa, o acesso é via Vargem Bonita e São José do Barreiro.
 
O Centro de Visitantes, no caminho para chegar às nascentes do São Francisco, é um local que vale à pena parar e conhecer. A rusticidade da Casa de Pedras, onde o Centro tem a sede, chama a atenção: lá dentro podem ser encontrados uma diversidade de materiais expostos sobre o parque: fotos de plantas e de animais, textos, folders, gravuras, fósseis etc., além de informações sobre a Unidade de Conservação Canastra.

A vegetação da região da Serra da Canastra

A vegetação do Parnacanastra é típica do cerrado nas partes altas (campos limpos), mas apresenta manchas de transição para mata atlântica nas partes baixas, onde as terras são férteis e ainda mostram glebas de florestas fechadas, principalmente em grotas e vales, com um rico ecossistema. 

Em alguns locais as matas ciliares ainda estão preservadas e mostram como era a região há algumas centenas de anos: rica em madeiras nobres e de berçários de animais silvestres, plantas raras e insetos multicores como besouros e sapos.

Por causa das gramíneas, características dos campos de altitude, a maior parte do Parque é propensa a incêndios de grandes proporções no período mais seco do ano, de junho a outubro.  

Mas o Parque Nacional da Serra da Canastra é rico em bromélias, lírios-do-campo, orquídeas raras e endêmicas da região, 

Plantas e animais endêmicos da Serra da Canastra

Nos cenários das serras da Canastra e da Babilônia são encontradas espécies típicas como a arnica-do-campo, a fruta-do-lobo, o pau-santo, o pau-de-colher, além outras raridades.

Nos campos, a canela-de-ema chama a atenção pela sua forma inusitada. 

Nas matas surgem o cedro, o araribá, a canela e as paineiras, algumas com mais de 25 metros de altura.
 
A área do Parque e o entorno sofreram alterações ao longo dos anos pela prática de desmatamentos e de queimadas para a agricultura.

Sofreu a ação da caça e da pesca predatória, da mineração e de garimpos clandestinos que reduziram as populações de aves, animais e da ictiofauna. Em alguns locais, as atividades de garimpo desviaram o curso original do Rio São Francisco em busca de diamantes.

O raríssimo tatu-canastra

Com um bom guia e um pouco de sorte, os visitantes e turistas podem observar o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, o cachorro-do-mato, o urubu-rei, o veado-campeiro, o tatu-galinha e algumas espécies de macacos. 

Entre as aves da região, as mais comuns são a siriema, o cará-cará, o canário-da-terra, a perdiz, a codorna, o gavião, a coruja e o curiango. 

Os bandos de tucanos e de araras dão cores e sons inusitados aos céus da Canastra. 

A dica para ver os animais mais raros, caso do urubu-rei, o veado-campeiro, o tamanduá-bandeira e o lobo-guará , que preferem locais mais tranquilos,  é abandonar os carros barulhentos e se aventurar num trekking ou numa bicicleta preparada para o terreno da Canastra.

O pato-mergulhão só habita ambientes ecologicamente equilibrados

O tatu-canastra e o pato-mergulhão, ambas espécies ameaçadas de extinção, ainda são encontrados vagando em locais específicos do Parnacanastra e no entorno, que ainda apresentam águas límpidas e criatalinas, geralmente a cada amanhecer e também ao final do dia.

Nas margens do São Francisco e de outros cursos d'água na região também é possível avistar martins-pescadores, patos e garças sazonais, além de canários, sabiás, araras, tucanos e curiós, dentre tantos outros..
 
A Canastra também é abrigo de incontáveis insetos multicores e exóticos como borboletas, 

Os Parques Nacionais ou Unidades de Conservação são patrimônios brasileiros e devem ser preservados contra todo tipo de vandalismo e de depredação ambiental

Normas para garantir a segurança dos visitantes

Ao visitá-los, observe algumas normas que devem ser seguidas:

- Trafegar sempre abaixo de 40 Km/h;
- Evitar o uso de buzinas;
-Não colher frutos, sementes, pedaços de rochas e/ou de pedras;
- Não escrever, desenhar ou descaracterizar elementos naturais do Parque (árvores, grutas, pedras);
- Perseguir, caçar ou molestar animais e/ou pássaros são crimes previstos por lei. Também não alimente os animais, eles devem seguir seu ciclo natural e o alimento fácil pode debilitar suas habilidades e instinto de caçador;
- Não levar para o Parque animais domésticos - cães, gatos, etc.
- Usar sempre que necessário os locais apropriados para depositar o lixo produzido. 
- Preferencialmente, retornar com o lixo;
-Em parques nacionais é proibida a entrada com armas de fogo, facões, machados, anzóis e tintas;
- Evite fazer necessidades fisiológicas nas águas ou próximo delas.
-Nas caminhadas, o sol forte da Canastra exige chapéu, roupas leves e protetor solar. 
- Faça os passeios sempre acompanhado, nunca sozinho;
- Leve sempre água, lanche, filmes extras ou memórias digitais com boa capacidade de armazenamento; dentro do Parnacanastra não existe lojas para comprá-los.
- Use um calçado confortável, preferencialmente, já “amaciado”.
-Evite o cigarro nas trilhas; uma pequena brasa pode ser responsável por um grande incêndio florestal;
- Siga sempre as orientações dos guardas-florestais;
- Observar o horário de funcionamento da Unidade de Conservação e das portarias; normalmente, as áreas de visitação são restritas e possuem horários definidos;
- O Parnacanastra funciona das 8:00 às 18:00 horas;
- Nas portarias é cobrada taxa de R$10,00 (dez reais), por pessoa, para entrar e visitar o parque.
 
Observe e cumpra com prazer as normas locais. Bons passeios e aventuras na Serra da Canastra!

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