Javalis são fotografados no Parque Nacional da Serra da Canastra

Turista faz imagens de javalis dentro do Parnacanastra, em São Roque de Minas

Conforme relatos de turistas e de moradores há alguns anos é notada a presença de espécie invasora na região de Furnas e da Serra da Canastra. Javalis são têm sido vistos distribuídos em vastas áreas pertencentes aos municípios de Capitólio, Delfinópolis, São João Batista do Glória e, agora, mais recentemente, dentro do Parque Nacional da Serra da Canastra, em São Roque de Minas.

Neste dezembro de 2016, o turista e fotógrafo, Fábio Rage, registrou a presença de javalis no Parnacanastra, mais especificamente, em São Roque de Minas, perto da Portaria III - imagem acima. 

Rage estava em visita ao parque quando viu três javalis vagando pelo cerrado. O javali é um animal exótico – que não é natural da região – é selvagem e pode oferecer riscos à flora e fauna nativas, sentenciam ambientalistas. 

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) estão trabalhando em parceria e realizando seminários para elaborar um Plano Nacional de Controle do Javali. 

De acordo com informações, a presença do javali no Parnacanastra foi constata há cerca de dois anos pelo órgão que controla a unidade de conservação, mas nenhuma ação efetiva de controle foi desenvolvida na região. 

Em notas, a diretoria do Parnacanastra pede para que qualquer pessoa que identificar a presença de javalis na área do parque para fazer registro informando a área onde o animal foi avistado e, assim, facilitar eventuais ações de controle.

O javali é originário da Europa e foi introduzido na Argentina e no Uruguai para fins de caça, posteriormente migrando para quase todo o território brasileiro. Provoca diversos impactos no ambiente invadido: o javali ataca animais silvestres e domésticos, destrói plantações, nascentes de rios e vegetações nativas.

Além disso, javalis são vetores de doenças, como a peste suína clássica, que podem exterminar o setor de suinocultura e também competem com as demais espécies de porcos pela disputa por alimentos. Por essas e outras, a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) coloca o javali entre as cem piores espécies invasoras.

Por ser considerada uma praga, em 2013 o IBAMA legalizou o abate controlado do javali. De hábito noturno, os javalis só andam em bando e causam muitos prejuízos por onde passam. É preciso poucos minutos para que tudo fique destruído no caso de um ataque a uma plantação. 

Em entrevista ao portal G1, o biólogo Sotero José Greco afirma que "existe uma proibição há alguns anos sobre a criação de javalis, mas muitos fugiram e procriaram. Logo depois houve uma essa regulamentação para a caça controlada, pois o animal já tinha se disseminado no país. Eles causam grandes prejuízos às lavouras de milho, cana, soja e também atacam animais domésticos como cães, bezerros, carneiros. Enfim, são definitivamente uma praga", destaca o biólogo.

Em Capitólio, onde também são avistados esses animais, há relatos de fazendeiros que estão fazendo o abate dos javalis mesmo sem licença prévia, pelos prejuízos nas plantações do qual têm sido vítimas e até mesmo com morte de criações domésticas que são atacadas, principalmente, à noite.

Na opinião do ambientalista e monitor ambiental, Elossandro Coelho, de São Roque de Minas, a solução pode ser bem simples para erradicar os javalis do Parnacanastra: bastaria usar uma porca no cio como isca, num grande curral com apenas entradas, para atrair os animais, sem tiros ou armadilhas que possam afetar ou estressar outras espécies silvestres e nativas.